QUEM EDUCARÁ OS EDUCADORES?

Já parou para pensar que sempre que tem alguém educando uma pessoa, esse alguém já recebeu educação de algum lugar?

Será que a pessoa que está educando, é uma pessoa equilibrada, responsável, justa, generosa no compartilhar saberes?

Nietzsche, o conhecido anticristo, em dado momento da sua vida de pensar e repensar os comportamentos, disse uma frase que sempre me impactou, desde o momento que a li pela primeira vez: “Quem educará os educadores?”

Atribuída ao filósofo alemão Friedrich Nietzsche, a pergunta “Quem educará os educadores?” ecoa e reverbera como um chamado atemporal para refletirmos sobre a formação daqueles que têm a fundamental missão de produzir conhecimentos, formar pessoas e ajustar comportamentos.

Se os educadores são os pilares do desenvolvimento intelectual, emocional e social das futuras gerações, quem garante que esses educadores tenham isso em si, como filosofia de vida e que esses pilares sejam sólidos o suficiente para compartilhar? 

Esse profundo questionamento transcende o campo da teoria acadêmica que forma os educadores e alcança a prática cotidiana da educação, evidenciando a necessidade de uma formação sólida, contínua e cuidadosa para os educadores, sejam eles pais ou professores.

O educador não é apenas um mero transmissor de conteúdos; quem transmite e professa conteúdos, é o professor; o educador é um formador de seres humanos com inteligência pedagógica desenvolvida que usa os conteúdos escolares para educar. Ele precisa ser, ao mesmo tempo, um conhecedor profundo do seu campo de atuação, da matéria do seu conhecimento e, ao mesmo tempo, dos comportamentos humanos. Por outro lado, precisa se posicionar como um eterno aprendiz, aberto às mudanças e aos desafios do mundo contemporâneo. No entanto, para que isso aconteça, é necessário que ele tenha acesso a processos de formação que sejam contínuos e que transcendam os momentos iniciais de sua carreira e que sejam permeados pelo conhecimento dos comportamentos humanos, acompanhando-o ao longo de sua trajetória profissional.

Contudo, a responsabilidade pela educação dos educadores não deve recair exclusivamente sobre instituições formais ou políticas públicas. Existe também o papel da comunidade escolar, dos pares e até dos próprios alunos nesse processo. Uma escola que valoriza a troca de saberes, o diálogo e a colaboração cria um ambiente fértil para que o educador aprenda enquanto ensina. É no contato com as vivências e perspectivas dos outros que ele pode ressignificar suas práticas e ampliar seu repertório.

Outro aspecto importante é o olhar para a saúde emocional dos educadores que, no pós pandemia parece ter se agravado. Em um cenário de demandas excessivas, pressões e desafios sociais, é essencial oferecer suporte e recursos que cuidem da dimensão humana desses profissionais. Afinal, um profissional emocionalmente equilibrado tem mais chances de inspirar e motivar seus alunos. A saúde emocional é, portanto, um pilar crucial para garantir que os educadores consigam desempenhar seu papel com eficiência e satisfação.

Para além disso, a sociedade deve reconhecer que a educação é um processo dinâmico e em constante transformação. Novas tecnologias, mudanças culturais e desafios globais exigem que os educadores se atualizem constantemente. Esse processo não deve ser encarado como um fardo, mas como uma oportunidade de crescimento e renovação. Instituições de ensino e governos têm o dever de oferecer formações continuadas, recursos pedagógicos inovadores e ambientes de trabalho que estimulem a criatividade e o bem-estar dos educadores.

Nietzsche, ao questionar quem educará os educadores, nos convida a pensar em uma educação que seja integral, mas antes de tudo, dialógica. Assim como os alunos, os professores também são sujeitos de um ambiente em que suas necessidades sejam ouvidas e seus talentos sejam valorizados. Não há educação transformadora sem educadores bem formados, valorizados e apoiados. Esse apoio, no entanto, não pode ser apenas simbólico; ele precisa se traduzir em melhores condições de trabalho, salários justos e acesso a uma formação de qualidade.

Vale destacar que as famílias também desempenham um papel significativo na educação dos educadores. Quando os pais se envolvem no processo educacional, contribuem para criar uma rede de apoio que beneficia não apenas os alunos, mas também os professores. Uma relação de parceria entre família e escola pode promover um ambiente mais colaborativo, onde as experiências são compartilhadas e os desafios são enfrentados em conjunto.

Por fim, é imprescindível que a sociedade como um todo assuma o compromisso de investir na educação. Isso significa valorizar os professores como agentes fundamentais de transformação social, oferecendo a eles não apenas condições materiais, mas também reconhecimento e respeito. A valorização dos educadores deve ser vista como uma prioridade, pois ela reflete diretamente na qualidade da educação oferecida às futuras gerações.

Portanto, responder a essa pergunta  é um desafio porque a resposta não está em uma única instância, mas em um esforço coletivo, amplo e abrangente. 

Famílias, instituições, governos e a sociedade como um todo devem assumir o compromisso de investir em quem educa, para que a educação continue a cumprir sua missão de produzir conhecimentos ao mesmo tempo em que forma seres humanos. Somente assim poderemos garantir uma educação transformadora e alinhada às demandas do nosso tempo.

Se você é educador, fica aqui meu convite a refletir sobre sua formação e sua prática cotidiana: quem está educando você?

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